sábado, 24 de julho de 2010

Um pato, um cachorro e a minha mãe

Havia um pato, um cachorro e a minha mãe.
O pato e o cachorro eram apenas bichos e minha mãe um bicho também uma senhora delicada. Era um encanto de pessoa que lavava roupa pra fora tentando manter a casa e a família. Papai vendia quinquilharias por ai, mas ele não entra nessa história.

Entrei de férias e mamãe pediu que eu a ajudasse. Aceitei o desafio, já que se eu dissesse não, ela responderia com "Eu faço o POSSÍVEL e o IMPOSSÍVEL pra te agradar e você não pode nem me dar uma ajudinha." ou coisas do tipo.
Eu levava as roupas limpas e ela voltava com as sujas, seria um perfeito trabalho em dupla, se o pato não cismasse de me seguir. Eu dava um passo, ele dava dois e dizia "QUÊN".
- Volta pra casa, pato.
- QUÊN, QUÊN. - ele dizia pra mim.

Depois de passar de porta em porta ouvindo agradecimentos, barulho de moedas caindo na minha mão, reclamações, mais barulho de moedas e muitos "QUÊNs", cheguei em casa. Com dor de cabeça, cansada e suja.

- QUEM MANDOU VOCÊ LEVAR O PATO PRA RUA? - gritou minha mãe da cozinha.
- Eu não levei mãe, ele me seguiu.
- HEIIIIIIIIM? NÃO TO OUVINDO VOCÊ. - berrou ela mais alto.
Tentei andar até a cozinha, mas tropecei no cachorro que chorou alto.
- Se você tá com raivinha, vá dormir mas deixe o bicho em paz.
- Mãe, eu não to com raivinha e não levei o pato pra passear. Ele me seguiu, me irritou, me sujou e cagou por aí. E esse cachorro, entrou na minha frente e levou um pisão sem querer.
- Vá pro seu quarto! Não sou culpada por esse seu mau-humor não. E pare de perturbar os bichos!

Obedeci.
Eu não sabia o que dizer, depois de passar o dia inteiro trabalhando, os animais tinham mais respeito do que eu. Onde já se viu?
O pato apareceu de novo, fez um "QUÊN" desanimado que só. Fiz carinho nele até minha mãe aparecer na porta:

- Depois de querer esfolar o meu neném, fica fazendo carinho nele? Me dá aqui. - ela o pegou. - E se quer saber...
- Não, não quero. - interrompi antes que viesse um sermão de "experiências de vida".
- Existe um mundo melhor, mas é caríssimo.

Ela saiu.
- Mas pera aí, ela chamou o pato de neném? - falei comigo mesma.
Texto para Gincana da OUAT, segunda fase.

8 comentários:

Bruna Amorim disse...

Realmente.. a frase com que termina o texto é extremamente real. "Existe um mundo melhor, mas é caríssimo" Enquanto isso.. vou me divertindo com o que posso não é? ahahah Adorei o blog, o texto é fabuloso. Parabéns.

Carolina Hermanas disse...

Que texto legal :)
Addoooorei,really <3
-

E aaaaaaaah, o layout ficou lindíssimo :)


Beeijinhos e um ótimo final de semana!

Rodolpho Padovani disse...

Haha, gostei =)
e o que esse pato tem pra receber tanto carinho? hauha

Bjs!

Natascha Oliveira disse...

Família sempre rende bons papos, que rendem bons posts!

Esse pato é incrível!!

Parabéns!!

gabi disse...

hahaha sempre, sempre, sempre assim!
tudo uma questão de interação.

o problema é que essa interação nunca acontece quando deveria :(

vai entender!

Camilinha, disse...

rindo horrores aqui ! uhUHuhUH
bem , aqui em casa nao tem pato, mas tem uma vira lata que so falta dormir na cama, rs

Thizi disse...

comico! Especialemte pelo titulo viu!

@juusep disse...

UHAHUA tenso. Chamar o pato de nenem? euri.

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